sábado, 21 de abril de 2018

ARTIGO: Telecolaboração e divergência em uma experiência de aprendizagem de português e inglês como línguas estrangeiras por Ricardo Souza



Neste artigo, Ricardo Augusto de Souza da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apresenta um projeto que utilizou o método tandem de aprendizagem para o ensino de Português à australianos enquanto os brasilieros aprendem inglês com os alunos da Austrália. O autor coloca ênfase em como o contexto sociocultural pode afetar o aprendizado em tandem, deixando claro a sua perspectiva sociocognitiva da língua. Ademais, ele apresenta bons pontos que é relevante para os interessados no método. Souza introduz seu artigo descrevendo-o:
Neste artigo, será argumentado que, na aprendizagem de línguas em tandem, os aprendizes estão colocados perante a necessidade de se defrontar com diferenças trazidas à tona pelos ecos de trajetórias estudantis percorridas não só em contextos culturais, mas também em contextos educacionais, especificamente em contextos de aprendizagem de línguas estrangeiras bastante distintos. Na segunda parte do artigo, a aprendizagem de línguas em tandem será caracterizada. Na terceira parte, aspectos teóricos da aprendizagem de línguas, que se articulam com o modelo de telecolaboração ora examinado, serão discutidos. Na quarta parte, será descrita uma experiência de aprendizagem de português e inglês como línguas estrangeiras em tandem. Na quinta parte, algumas observações dessa experiência serão relatadas. Na sexta e última,serão tecidas considerações finais sobre a telecolaboração na aprendizagem de línguas estrangeiras.

 Ao caracterizar o motivo do sucesso da aprendizagem de línguas em tandem, Souza cita Brammerts (1996):
O autor sugere que o sucesso da aprendizagem em tandem pode ser atribuído ao fato de que esse tipo de arranjo de ensino/ aprendizagem tem o potencial de promover diversas condições favoráveis para a aprendizagem de línguas, tais como:  
• O engajamento dos aprendizes em situações de comunicação autêntica. 
• Minimização de possíveis inibições no uso da língua-alvo em função da alternação dos papéis de aprendiz e de falante proficiente. 
• Oportunidades para que os aprendizes direcionem suas experiências de aprendizagem para que essas venham ao encontro de seus interesses prioritários




Ainda, o autor cita Schwienhorst (1998) ao evidenciar os princípios fundamentais para que a aprendizagem em tandem aconteça, são eles:
1. O princípio da reciprocidade: Cada aprendiz deve beneficiar-se igualmente da parceria, tendo a expectativa de tanto receber ajuda quanto oferecê-la. Há a necessidade de envolvimento e compromisso com o processo e com as necessidades do outro. 
2. O princípio do bilingüismo: Cada participante da parceria em tandem deve comprometer-se a um uso da língua estrangeira da qual ele é um aprendiz e de sua língua materna em proporções iguais. 
3. O princípio da autonomia do aprendiz: Cada aprendiz é responsável por seu próprio processo de aprendizagem, pela delimitação de seus objetivos e dos melhores métodos para alcançá-los.
"Contudo, é o princípio da autonomia do aprendiz que é tido como central para a aprendizagem em tandem" (SOUZA, 2003), afirma o autor. 


Ao final do artigo, depois de apresentar o andamento do projeto, Souza conclui que:
As propostas telecolaborativas em aprendizagem de línguas estrangeiras, nas quais se insere o regime de tandem, abrem possibilidades sem precedentes de que se estabeleçam contatos com facetas das mais diversas culturas. Do ponto de vista da aprendizagem de uma língua estrangeira, as chances de interlocução instauradas são de um valor por certo irrefutável.
Mas resesalta que o contexto sociocultural afeta o aprendizado e eficácia do projeto. Afirmando que:
Provavelmente, até mesmo na aproximação de duas instituições dentro do mesmo país, haverá a aproximação de espaços distintos, resultantes da complexidade das determinações na interface entre vários fatores macrossociais e os eventos microssociais das interações nas experiências de aprendizagem



Referência:

SOUZA, Ricardo Augusto de. Telecolaboração e divergência em uma experiência de aprendizagem de português e inglês como línguas estrangeiras. Rev. bras. linguist. apl. [online]. 2003, vol.3, n.2, pp.73-96. ISSN 1984-6398.  http://dx.doi.org/10.1590/S1984-63982003000200004. 

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